Thursday, April 3, 2025

O soneto do grito mudo - Por Thais Martins

A minha voz eu calei. Mandaram eu me calar.

O choro que chorei, dele mal pude falar.

O pranto engoli, os olhos sequei.

E fingi, então, ser forte. Mais uma vez.


Um abraço eu pedi, o ego inflado me negou

O beijo que eu quis, com sede me deixou.

Agora, nos versos que escrevo, sem abraço ou alento

O fogo se espalhou ou apagou com o vento?


Calada não pude chorar,

Nem sofrer, ou reinvidicar.

E, para acalmar o soluço, decidi água tomar.


Um litro mais outro

Quatro, cinco, não sei.

E de tanto engolir choro, bebi o oceano de uma só vez.


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