Tuesday, November 25, 2025

Da chuva e do arco-íris

Da chuva (parte 1)

E não é só isso

O dia também chove e é lindo.

E por que não se alegrar só porque o céu está cinza?

O cinza também tem seu charme.

E quando sobe aquele odor

(Inolvidável)

de uma terra a ser molhada

Minhas narinas, sinto, pressentem

E um sorriso se abre.

O vento esvoaça o cabelo que levei horas pra pentear mas, e daí?

Não é a chuva o melhor?

Nas primeiras gotas

Ainda não queremos acreditar

Mas na segunda, terceira

Quando se começa a sentir o corpo molhar

Vem a entrega.

Eu gostaria de poder mergulhar naquele céu

Fazer uma turbulência em mim

Tremer diante de tais camadas

Quentes e frias

Não só de chuva, mas de vida.

O quente do meu coração (e também do meu corpo acelerado)

Com os frios da minha espinha (e do frio proposital que eu sinto pra que você me abrace - na chuva)

...

A chuva

Nós dois

e...

Os beijos

E, quem sabe, o amor feito.

E não é só isso...

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- Do arco-íris (Parte 2)

A chuva também passa e é lindo

Ver aquele arco-íris de esplendor

Tomando conta do que outrora era pânico

E gente debaixo de tantas lonas.

As esperanças se renovam

Já se pode caminhar de novo.

Friday, November 7, 2025

Não é um texto de aniversário 🎂🎉 (por Thais Martins)

Não, não é um texto de aniversário. 

Meu aniversário é em junho.

- Então é assim que é ter 35 anos, quando se envelhece até essa idade sem botox, plástica ou procedimentos estéticos (pelos quais eu gostaria, porém não posso pagar)? Um mix de surto, resiliência, sobrevivência e pura teimosia (ou os 4 juntos?)

- Os 4 juntos.

- É assim que se aparenta a idade? 

- Sim, com as rugas nos cantinhos dos olhos, e o colágeno desaparecendo a olhos vistos. 

- É assim que uma mulher é, então?

- É.

Ela para e pensa, depois pergunta sem hesitar:

- Espera... Será que tenho direito de gostar da mulher que eu vejo no espelho? E que a mesma indústria que lucra com os meus medos, me permite, também, me olhar e me admirar? Será que algum dia o "ser" vai transpor o "ter" e, principalmente, o "aparentar"?

[A contraparte a encara, estarrecida, e a louca continua...]

Será que se pode só envelhecer sendo eu mesma, com meu humor ácido, meu senso de justiça e de urgência, meu gosto pela astronomia e outras coisas que ninguém liga, minha sinceridade indigesta (que já me rendeu belas inimizades, alguns choros e boas risadas), buscando cafeína em tudo que não seja café?

Será que se pode viver um amor saudável, sem medo de ser trocada por um modelo mais jovem, com mais colágeno? 

Será que eu posso ter 35 anos sem precisar me explicar tanto? Será que eu posso só existir e comer aquele chocolate sem culpa? E será que algum dia a gente se torna, para a sociedade, mais do que um ponteiro na balança?

- Ainda não sei.

-Talvez, aos 36, saberei.

- 35 já é um preço suficientemente alto, está disposta?

- Com juros e correção monetária.

- Não permite devolução, nem desistência.

- Parece incrível, parcela no crédito.

Vini Júnior, presente!

"Eu não tenho nada contra macacos, inclusive porque penso que os macacos são muito mais inteligentes que um racista." - Balotelli....